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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Invisibilidades

Rede SACI
11/10/2012
Artigo de Marta Gil


Comentário SACI: (*) Marta Gil: Socióloga, consultora na área da Deficiência, coordenadora do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais, colaboradora do SENAI-SP e do Planeta Educação. Foi uma das criadoras da Rede SACI e sua gerente até 2006.


A “invisibilidade” na área da Deficiência já se tornou uma velha conhecida. As pessoas com deficiência a sentem na pele, nas mais diversas situações; os que estão perto delas ou trabalham na área têm muitas histórias dela para contar.

Para Harry Potter e seus amigos, a invisibilidade trazia vantagens e, portanto, era desejável: com a capa mágica, podiam se aventurar, descobrir segredos e identificar vilões. A capa os protegia, dava acesso a informações preciosas ou mesmo favorecia escapadelas.

Não é esse o caso das pessoas com deficiência. Porém, já que repetimos tantas vezes essa afirmação e até comprovamos sua ocorrência, vale a pena refletir sobre isso.

Mas, por que usar o plural?
Porque acho que há dois tipos de invisibilidade.

A nossa velha conhecida é aquela que ignora as características das pessoas com deficiência, camuflando-as com frases como “Para mim, todos são iguais”; “O que me interessa são pessoas”; “Trato todos do mesmo jeito” ou variações parecidas. Essas frases, que aparentemente traduzem sentimentos louváveis, podem esconder um perigo, embora as intenções de quem fala sejam as melhores e as mais nobres possíveis.

Perigo? Como assim?
Ele reside na não consideração de características que fazem parte da natureza da pessoa com deficiência. Se os traços diferenciais são “pasteurizados” em nome desta igualdade que não respeita a diversidade – ao contrário, passa um trator sobre ela - então essas características ficam, sim, “invisíveis”. Resultado: escolas (e demais espaços sociais) não têm materiais em braile, em português simplificado ou com audiodescrição; surdos não têm intérpretes de Libras; rampas, elevadores, softwares, pisos podotáteis nem são contemplados em orçamentos, etc., etc.
Como alerta Reinaldo Bulgarelli: As pessoas não são “alminhas vagando por aí”; têm corpos, características, desejos e necessidades, que formam sua identidade. Quando esta não é sequer considerada em nome de uma suposta “igualdade”, elas se tornam “invisíveis” porque algumas de suas características são solenemente ignoradas. Aí, a presença nos espaços sociais se torna difícil ou até mesmo inviável, para muitas. Isso explica porque nem sempre são vistas por nós.

Esse tipo de invisibilidade deve ser combatido, sempre. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que o Brasil ratificou com equivalência constitucional é o instrumento mais potente que dispomos para garantir a visibilidade. A Convenção traz um novo olhar, tendo como base os Direitos Humanos. Um de seus pilares é a Acessibilidade, em todos os significados do termo. A ausência de acessibilidade configura discriminação – e discriminar é crime. Simples assim.

Ana Paula Crosara, que tinha uma deficiência física, costumava dizer que esperava o dia em que entrar e sair de um carro fosse algo corriqueiro, deixando de ser “um espetáculo”, que atraía olhares curiosos.
Esse outro tipo de “invisibilidade” é desejável, pois vem da naturalidade: indica que as condições para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade estão asseguradas. Assim, elas podem “aparecer” e todos podemos conviver com tranquilidade, segurança e respeito.

A “invisibilidade desejável” beneficia a todos, porque considera a diversidade funcional de cada um. Ela cria um círculo virtuoso: ao olhar de frente o diferente, a sociedade inventa alternativas e busca soluções; à medida que a acessibilidade aumenta, mais pessoas entram na roda e a diferença passa a ser percebida e celebrada como parte da riqueza da Vida.
Para termos direitos iguais, nossas diferenças precisam ser vistas, reconhecidas e aceitas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Olha como foi, meu filho!

05/10/2012
Artigo de Lívia Maria Villela de Mello Motta, em 'Bengala Legal'.
Jucilene, amiga de muitos anos, com a qual venho compartilhando muitas experiências e histórias, grande parte delas ligadas à audiodescrição, está grávida. E como toda gestante em seu pré-natal, foi fazer seu segundo ultrassom. Desde o começo da gravidez, que ela já vinha comentando que seria muito legal que eu fosse junto para fazer a audiodescrição do exame. “Nossa”, pensei, “preciso me preparar para isso…” E fui pesquisar na internet o que revelam os exames de ultrassom nas diversas semanas de gestação, tentando aprender a terminologia e conhecer as imagens para ganhar familiaridade com o tema.

Não consegui acompanhá-la no primeiro, mas neste, lá estava eu no meio dos dois, papai e mamãe, olhos grudados no monitor, tentando traduzir em palavras as imagens acinzentadas que iam sendo exibidas à medida que a médica, a Dra. Clarissa, passava o aparelho sobre a barriga besuntada de gel de Jucilene.

Comentei: "Ju, o que eu estou vendo agora não é exatamente o contorno do bebê, mas algumas bolhas de ar que se movimentam lentamente, parecendo flutuar."

Dra Clarissa foi explicando, com objetividade, cada imagem que aparecia no monitor e eu ia complementando com mais detalhes descritivos que pudessem dar a Jucilene e Sandro a possibilidade de construção da imagem mental do bebezinho, confortavelmente aninhado na barriga da mamãe. E todas as partes de seu corpinho flexionado foram sendo exibidas: a coluna vertebral curvada, o rostinho de perfil já com o nariz e boca delineados, os dedinhos das mãos fechados e um deles esticado como se estivesse a apontar, os órgãos do aparelho digestivo e urinário, os órgãos genitais que a Dra Clarissa descreveu como o casco de uma tartaruga, o coraçãozinho pulsando, os ossinhos dos braços e das pernas, o cérebro com canais finos compondo a massa encefálica.

Jucilene contou para Dra Clarissa o que é audiodescrição e sobre sua importância para as pessoas com deficiência visual. A médica explicou que já traduz as imagens mostradas no monitor para suas pacientes que enxergam, pois é mesmo difícil entender aquelas imagens ainda sem contornos definidos que não lembram formas humanas. Para as mamães com deficiência visual, mais alguns detalhes descritivos poderão fazer toda a diferença. Jucilene confirma isso em seu depoimento:

"Sou uma mamãe ansiosa por sentir em meus braços o frágil corpinho desse bebê que sinto a cada dia crescer e fortalecer dentro de mim. Este não é o primeiro filho, mas devo dizer que cada filho é único, cada gravidez tem suas particularidades. Me lembro como se fosse hoje ao fazer o primeiro ultrassom do Gianluca, que hoje tem 8 anos. Foi um momento mágico, saber que estava tudo bem, ouvir o pulsar do seu coraçãozinho. Mas confesso que seria bem interessante se tivesse um pouco mais de detalhes a cada exame. É fato que hoje temos muito mais recursos ao nosso alcance, pois se antes para gravar levávamos fita K7, imaginem o tamanho da evolução em levar hoje um DVD.

Agora que podemos usufruir deste maravilhoso recurso que é a audiodescrição, busco sempre fazer com que as pessoas me detalhem, contem o que estão vendo, mesmo que elas não façam a menor ideia num primeiro momento do que seja o recurso e sua importância para nós, pessoas com deficiência visual.

Neste período de minha gravidez, tenho conhecido muitas mamães na mesma situação que eu, que esperam ansiosas para dar a luz a mais um ser para este planeta. A única diferença é que elas enxergam e os papais também. O papai Sandro tem me acompanhado em todas as etapas desta gestação. Por isso, achei bem justo e válido convidar a nossa querida amiga para descrever este exame para nós. Transformar em palavras as imagens que ficam tão distantes aos nossos olhos. Eu ainda posso sentir o pesar da barriga, os chutes deste molequinho que se vira prá cá e prá lá dentro do meu útero. Quis tornar mais próximo do papai tudo o que acontece aqui dentro."

"Só posso dizer que mesmo ainda com os contornos cinzentos, foi uma experiência muito rica e diferente. Tenho muita sorte de ter ao meu lado pessoas tão especiais que dão ainda mais cor a este momento que para mim tem sido muito importante. Por isso, se você mamãe com deficiência visual for fazer estes exames de imagem, peça mais detalhes aos médicos. Explore sua imaginação e tenho certeza de que será o máximo. A audiodescrição não acontece apenas em teatros, cinemas ou em qualquer outro programa cultural, mas sim em tudo aquilo que não tiver palavras, mas que tenha importância para você. Faz parte do nosso dia-a-dia, afinal dizem que o mundo é visual."

O papai Sandro completa: "meus sentimentos no momento da audiodescrição foi de poder prestar mais atenção às informações técnicas passadas pela médica. Eu acho que o homem só tem mesmo noção quando pega o filho nos braços e começa a ouvir sua manha, seu choro e sua risada. Acredito que essa sensação dos primeiros 9 meses de gestação é única e somente a mulher consegue sentir e participar 100% desse momento e de suas sensações. Mas para mim isso não tira minha alegria e minha responsabilidade de participar desse momento. Acho que o homem tem que prever o que a mãe está sentindo e tentar ser o mais presente, carinhoso e atencioso do que nunca."

E essa tradução do visual para o verbal não restringe-se a futuras mamães com deficiência visual, mas estende-se também a pais que queiram acompanhar o pré-natal e o nascimento de seus bebês, a pacientes que são atendidos em hospitais ou consultórios, a pessoas que vão fazer exames em laboratórios, ou que são atendidas em clínicas de reabilitação e outros locais na área da saúde. Médicos, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde podem e devem introduzir mais informações descritivas em seus atendimentos a pessoas com deficiência visual, o que certamente irá informar e complementar o entendimento sobre o ambiente, instrumentos e procedimentos, baixando, com isso, a ansiedade e colaborando para um atendimento com mais qualidade, comunicação e interação. Uma atitude respeitosa que demonstra a preocupação com acessibilidade e inclusão.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

MEC: matrículas de alunos com deficiência sobem 933,6% em 10 anos

05/10/2012
Dado foi confirmado pelo Ministério em seu site e diz respeito ao intervalo de 2000 a 2010.

O Ministério da Educação (MEC) informou nesta segunda-feira, por meio de seu site, que a quantidade de matrículas de pessoas com deficiência na educação superior aumentou 933,6% entre 2000 e 2010. Estudantes com deficiência passaram de 2.173 no começo do período para 20.287 em 2010 - 6.884 na rede pública e 13.403 na particular. O número de instituições de educação superior que atendem alunos com deficiência mais que duplicou no período, ao passar de 1.180 no fim do século passado para 2.378 em 2010. Destas, 1.948 contam com estrutura de acessibilidade para os estudantes.

De acordo com o MEC, no orçamento de 2013, o governo federal vai destinar R$ 11 milhões a universidades federais para adequação de espaços físicos e material didático a estudantes com deficiência, por meio do programa Incluir.

O Incluir tem como objetivo promover ações para eliminar barreiras físicas, pedagógicas e de comunicação, a fim de assegurar o acesso e a permanência de pessoas com deficiência nas instituições públicas de ensino superior. Até 2011, o programa foi executado por meio de chamadas públicas. Desde 2012, os recursos são repassados diretamente às universidades, por meio dos núcleos de acessibilidade. O valor destinado a cada uma é proporcional ao número de alunos.

Entre 2013 e 2014, o governo afirma que vai abrir 27 cursos de letras com habilitação em língua brasileira de sinais (libras) nas universidades federais, uma em cada unidade da Federação. Segundo o MEC, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) vai ofertar mais 12 cursos de educação bilíngue (português¿libras) a partir do próximo ano.

Para dar suporte de recursos humanos aos novos cursos nas universidades federais, será autorizada a abertura de 229 vagas de professores e 286 de técnicos administrativos. As ações fazem parte do eixo educação do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limite, que envolve diversos ministérios para promover a inclusão, autonomia e direitos das pessoas com deficiência.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Braille e o Jornalismo.


Quando penso naquele período de quase uma década em que trabalhei como repórter no então jornal de maior circulação da Paraíba, sinto como se houvesse ultrapassado uma convenção, uma fronteira; como se houvesse escalado um monte muito alto para perceber o mundo à minha volta por sobre uma estreita cúpula de pedra.

Só hoje tenho consciência do que fiz em todos aqueles anos em que datilografava os acontecimentos cotidianos da minha cidade, do meu país. Por baixo do texto objetivo, de parágrafos curtos, insinuava-se uma outra escrita, um outro texto, que dizia que cegueira e jornalismo não eram incompatíveis; uma outra gramática de relações em que dialogavam o Braille, a datilografia e a linguagem jornalística na construção dos furos de reportagem que então fui capaz de produzir.

Estávamos na década de oitenta e as redações eram ainda imensas salas atulhadas de mesas, caixotes de lixo, fumaça de cigarro e ruído intermitente das máquinas de datilografia, ruminando sílabas e palavras para os acontecimentos do mundo lá fora. Páginas do dia seguinte, a desfolharem-se sob os olhos ora ávidos, ora quase desatentos dos leitores de então. Páginas e páginas manchadas de tinta que se quer falavam da reportagem inédita que se desdobrava no íntimo da minha consciência, inédita reportagem da qual nunca falara até o momento em que me pus a escrever este artigo.

Por dias a fio, enquanto perseguia o alimento primordial do jornalismo, enfatizando o excesso, a falha, o diferente, o desvio, enquanto me aprimorava na técnica de selecionar o fato mais chamativo para a linha de frente de cada matéria redigida, não me dava conta do tamanho do desafio a que me propusera, não me dava conta de que eu era o próprio desvio, num mundo em que cegueira e visualidade eram eminentemente excludentes, um mundo em que o exercício do jornalismo era sobretudo um testemunho do olhar.

Muita coisa aconteceu naqueles meus anos de jornalismo, escrita invisível de um texto inédito que se reproduzia por baixo da notícia cotidiana, reportagem nunca publicada mas propositura de uma assinatura nova para o diálogo que então se estabelecia entre cegueira, jornalismo e os modos dos quais eu dispunha para transcrever o mundo à minha volta. Houve pois reportagens e entrevistas inesquecíveis. Situações inusitadas que ficariam muito bem em um livro de aventuras ou numa obra auto-biográfica.

De todos esses acontecimentos, porém, sobressai-se um aparentemente insignificante, forjado numa límpida e tranquila manhã de sábado. Um acontecimento aparentemente insignificante - volto a frisar - mas que por si só exibiu toda a problemática da cegueira, com suas especificidades e sua profunda estranheza perante os olhos do mundo.

Sábado. O dia trazia alívio antecipado, vontade de abandono das notícias rotineiras, da crônica das queixas de faltas e carecimentos, desejo de transitar por entre as árvores, a fiscalizar a devastação dos homens ou perseguir uma cena romântica de lavadeiras a cantar em algum rio em que uma escritura da poluição pudesse ser denunciada nas páginas do domingo. Os repórteres da geral já tinham ido pois às suas caçadas. A redação pulsava quase tranquilidade, quando a pesada porta de vidro deu passagem a um homem idoso, a preocupação estampada na voz com que se dirigiu ao chefe de reportagem.

Queria fazer uma denúncia sobre problemas de terra e como eu estava no plantão, ele foi encaminhado à minha mesa.Começou seu relato sem se quer olhar para mim. Eu anotava freneticamente na minha reglete, compondo em Braille, uma síntese da sua zanga. Na fala, que eu guiava para o aprontamento da notícia, com indagações, confirmações e pausas, aquele homem entregava-me suas esperanças, seu desabafo, a vontade de ver publicada mais do que uma história de desentendimento por terras, o desejo de que o recorte midiático dessa etapa da sua vida confirmasse, no mundo escrito do texto jornalístico, a marca da sua honra.

Quando o relato acabou, preparei-me para datilografar o texto. Foi quando o homem percebeu a folha de papel em Braille que eu estendera sobre a mesa, ao lado da máquina de datilografia. Com uma perplexidade nova na voz, ele agora me entrevistava:

-- O que é isso? O que você está fazendo?

Eu poderia ter me investido da autoridade de repórter. Poderia lhe dizer que se fosse embora e comprasse o jornal no dia seguinte para saber. Na pergunta daquele homem, porém, mais do que perplexidade e espanto havia o receio de haver perdido tudo o que me dera. O medo pânico de ver sua contenda ir-se pelo ralo, assim como a sua honra. Foi por isso que não transigi. Foi por isso que me igualei ao homem e lhe dei as explicações que me pedia:

-- Isto são minhas anotações para redigir a sua denúncia, disse-lhe com calma, evitando pronunciar a palavra Braille.

O homem fixou o relevo pontilhado no papel em branco, ávido por descobrir ali alguma letra sua conhecida e num último esforço objetou:

-- Mas não tem nada escrito nesse papel".

Chegara pois o momento crucial. Era a hora do confronto entre um mundo cristalizado que pensava a cegueira como incapacidade absoluta e a realidade, que numa redação de jornal uma repórter cobria o desafio diário de enfrentar esse mesmo mundo sob a moldura da sua cegueira:

-- Eu sou cega. Isto é o modo como eu escrevo, Isto é o Braille".

A máquina solitária do editor de cultura datilografou um ponto final. Ele havia acabado de fechar a página de domingo. A sala ficou por longos instantes sob a cúpula de um silêncio pesado. À minha frente vibrava o coração de um homem que temia pelo futuro da sua denúncia, transformada em pontos incompreensíveis.

E foi somente quando comecei a datilografar o relato, com a mão esquerda a consultar de vez em quando as anotações em Braille, para regressar ao teclado da máquina de datilografia comum, foi somente depois que a vista cansada do homem começou a desvendar por sobre a folha manchada de tinta, mas com letras reconhecíveis, as palavras de sua denúncia agora organizadas em texto jornalístico, foi somente naquele momento que ele decidiu abandonar a minha mesa de trabalho, dirigindo um olhar ainda aflito ao chefe de reportagem, onde se podia ler um apelo para que aquela nota, escrita por mim, pudesse mesmo ser publicada.

Falar agora daquele episódio fez com que, do armazém das lembranças da minha meninice, emergisse um cordel inteiro de coisas acontecidas na minha cidade natal. Como chusmas de pássaros do campo, outros episódios parecidos com aquele ainda vivem como lembranças corriqueiras no fundo dos dias da minha infância. Todos os anos, ao fim do semestre letivo, íamos para as férias em casa dos meus pais, que viviam no alto sertão de Pernambuco. Uma singularidade que envolvia minha família (pelo menos seis dos meus treze irmãos haviam nascido cegos como eu), atraía uma verdadeira romaria de camponeses à nossa casa nos dias de descanso.

Naqueles dias, os rostos incrédulos dos camponeses perfuravam as folhas do Braille que meus pais pediam que lêssemos para eles, à procura de um entendimento que fosse para aquele estranho ritual de mãos caminhando sobre a superfície do papel, ao modo das máquinas de cultivar a terra, desvendando sulcos e sulcos de uma escrita incomum. Quantas vezes os camponeses incrédulos não pediam que um de nós saísse, para que pudesse ditar para um outro uma frase que depois o ausente teria que decifrar!!!

Que estranha escrita é essa que percute uma música composta por sons secos e ritmados nas mesas de escola, nas reuniões de trabalho, desafiando o silêncio e fazendo com que olhares perplexos e inquisidores ergam-se até o local de onde ela vem,a pedir uma explicação, a reproduzir os antigos gestos e expressões que a visualidade sempre dedicou à cegueira, a inquirir o cego que escreve com voz ora aflita, ora resoluta, "O que é isso? O que é que você está fazendo"?

Quantas vezes o próprio Louis Braille, inventor desse código fantástico, não teria ouvido a mesma pergunta, sob entonações as mais diversas! E que resposta apropriada ele não teria dado se dissesse:

"Estão ouvindo? Estou batendo na porta do mundo da cultura. Estou pedindo passagem para me instalar como habitante competente no mundo das coletividades letradas. Sou cego. Minha escrita é estranha conformação de linhas pontilhadas. Estou cavando o solo das palavras, para que vocês me vejam e se apercebam de como eu vejo o mundo"!

Porque é certo que Luís Braille, ao inventar esse pequeno filete de seis pontos justapostos, apto a gerar 63 combinações para a representação das letras do alfabeto latino, inventou a chave dentada mais poderosa para abrir o mundo da cultura aos indivíduos cegos.

É certo que a partir desses seis pontos justapostos ele instaurou no mundo a palavra fundadora para o reconhecimento da máxima filosófica, metafísica, antropológica, de que a cegueira é uma forma de visão Por baixo da escrita pontilhada de livros e livros em Braille guardados nas bibliotecas; por entre as linhas das folhas e folhas de papel que trabalhadores cegos produzem nos mais variados campos profissionais; por entre os dedos do poeta cego, que sobrevoa as linhas da sua poesia escrita em Braille, persiste um texto singular, narrativa construída da história da inserção desses indivíduos num mundo que ainda não conseguiu desvencilhar-se dos seus antigos valores e que ainda fita com perplexidade o escritor/leitor da escritura pontográfica.

Notícias indiscutíveis de tal perplexidade ainda podem ser testemunhadas em pleno século XXI. No balcão da farmácia, no caixa do supermercado, vendedores apresentam ao consumidor cego produtos em cujas embalagens alinha-se um pequeno grupo de linhas pontilhadas. A antiga pergunta insinua-se carregada de expectativa: "O que é isso"? E novamente o gesto fundador que concedeu ao cego o seu ingresso na comunidade usuária dos signos de escrita se realiza ali, perante um perplexo vendedor que só pode explicar aquilo como um milagre, como um ritual de "adivinhação" que conforme imaginavam os antigos, ele julga estar sendo encenado pelo leitor cego, aos seus olhos, um ente quase divino.

E quando as tecnologias de informática com seus softwares de voz, aliadas a cifras desalentadoras quanto ao uso do Braille por crianças, adolescentes e jovens cegos, desenham no campo do debate tiflológico a pergunta sobre se o Braille será ou não substituído pelos computadores, a nossa resposta só pode ser firmada em relevo, em grandes letras pontilhadas, a desenharem um NÃO.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cego quer criar celular com tela de toque para quem não vê

18/01/2009 - The New York Times.

Biografia de T. V. Raman.

O cientista T.V. Raman foi uma criança estudiosa, que desenvolveu uma paixão por matemática e quebra-cabeças ainda bem pequeno. A paixão não mudou quando um glaucoma o cegou aos 14 anos. O que mudou foi o papel que a tecnologia - e suas próprias inovações - desempenhou na busca de seus interesses. Raman, que dependia de voluntários para ler enquanto estudava numa universidade técnica de seu país de origem, Índia, passou a levar uma vida autônoma no Vale do Silício, onde é um cientista da computação e engenheiro do Google altamente respeitado. Agora, aos 43 anos, trabalha para modificar a última tecnologia que, segundo ele, pode tornar a vida dos cegos mais fácil: um telefone touch-screen.

Para Todos.

Algumas inovações de Raman podem ajudar a tornar invenções eletrônicas e serviços da web mais amigáveis para todo mundo. Em vez de perguntar como algo funciona caso a pessoa não enxergue, ele prefere perguntar: "como isso funciona quando o usuário não está olhando para a tela?"

Tais sistemas podem ser úteis para motoristas ou qualquer um que possa se beneficiar de um acesso não-visual ao telefone. Eles também podem atrair a geração de meia-idade, cuja perda de visão enquanto envelhecem não a impede de querer continuar usando a tecnologia da qual passaram a depender.

A abordagem de Raman reflete um reconhecimento de que muitas das inovações desenvolvidas primordialmente para pessoas com deficiência acabaram beneficiando um público mais amplo, disse Larry Goldberg, que supervisiona o Centro Nacional de Mídia Acessível da WGBH, estação de rádio pública de Boston.
O Celular Touch-Screen Acessível.

Sem botões para guiar os dedos em sua superfície vítrea, o celular touch-screen pode parecer um belo desafio. Mas Raman disse que, com os ajustes certos, os celulares touch-screen - muitos já equipados com tecnologia GPS e bússola - podem ajudar os cegos a navegar pelo mundo. "Não é difícil entender que seu telefone pode dizer, 'ande reto e em 60 metros você chegará à intersecção de X com Y,'" disse Raman. "Isso é completamente factível."
Tecnologias Devem Ser Antecipadamente Projetadas com Acessibilidade.

Os obstáculos na internet têm muitas formas. Uma comum é o Captcha, um recurso de segurança que consiste em uma sequência de letras e números distorcidos que os usuários devem ler e digitar antes de se registrarem para um novo serviço ou enviar e-mail. Poucos sites oferecem um Captcha sonoro. Algumas páginas são apenas mal projetadas, como sites de comércio eletrônico em que o botão para checar sua compra é uma imagem sem nada escrito, o que impede dispositivos leitores de tela de encontrá-lo.

"A vasta maioria da indústria realmente não avançou para oferecer à comunidade cega acesso igualitário a seus produtos," disse Eric Bridges, diretor de mobilização e relações governamentais do Conselho Americano para Cegos. Bridges e outros grupos de interesse defendem que a acessibilidade deveria estar inserida nas novas tecnologias, não pensada depois como complemento.
No Google

Pessoas com outras deficiências enfrentam desafios similares na internet. "Para os surdos, a frustração é grande por causa dos muitos vídeos sem legenda," disse Goldberg. Raman, que antes de se juntar ao Google em 2005 trabalhou na Adobe Systems e como pesquisador na IBM, está intimamente familiarizado com problemas de acessibilidade, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Em 2006, ele desenvolveu uma versão do mecanismo de busca do Google que dá leve preferência a sites que funcionem bem com leitores de tela. O sistema precisou testar milhões de páginas da web. "Não se achava uma única que satisfazia totalmente as necessidades da acessibilidade," disse Raman. Mesmo assim, o sistema pôde detectar quais páginas funcionavam razoavelmente bem com os leitores de tela. O serviço não está tão difundido quanto ele esperava. Mas causou impacto. Diversos desenvolvedores de web sites cujas páginas não apareciam em destaque nos resultados do Google perguntaram a Raman como poderiam consertá-las para conseguir melhor posição.

Recentemente, Raman trabalhava em um artigo científico sobre o futuro da estrutura da internet. O monitor estava sobre a escrivaninha. Ele geralmente fica desligado, a não ser que Raman queira mostrar a um colega ou visitante no que está trabalhando. Ele digitava no teclado, a cabeça levemente inclinada escutando o leitor de tela por um par de fones de ouvido sem fio. O leitor está calibrado para falar com quase o triplo da velocidade de uma voz normal. Para o ouvido destreinado, o resultado é incompreensível, mas é isso que permite Raman "ler" praticamente na mesma velocidade de uma pessoa com visão.

Ele divide o espaço de trabalho no Google com Charles Chen, um engenheiro de 25 anos, e Hubbell, seu cão-guia. (Hubbell possui seu próprio site.) Chen, que enxerga, desenvolveu um leitor de telas gratuito para páginas da internet que funciona no navegador Firefox. Trabalhando em conjunto, os dois recentemente (2005) acrescentaram atalhos no teclado que ajudam cegos e usuários de visão limitada a navegar mais rápido pelos resultados do Google.

O Mundo Portátil.

Agora, a dupla se dedica aos celulares touch-screen. "As coisas nas quais tenho mais interesse são as que estão migrando para o mundo portátil, porque é uma grande mudança na vida das pessoas," disse Raman.

Para mostrar seu progresso, Raman puxou do bolso da calça jeans seu T-Mobile G1, um celular touch-screen com o software Android do Google. Ele e Chen já o equiparam com um software cuja narração é bem parecida com a de um PC. Agora trabalham em formas que permitam cegos, ou qualquer um que não esteja olhando para a tela, inserir textos, números e comandos. Esse recurso complementaria os sistemas de reconhecimento de voz, que não são sempre confiáveis e não funcionam bem em ambientes barulhentos.

Como ele não pode apertar um botão específico na tela sensível, Raman criou um teclado que funciona a partir de posições relativas. Ele interpreta o primeiro toque em qualquer lugar na tela como um 5, o centro de um teclado numérico normal de telefone. Para discar qualquer outro número, ele simplesmente desliza o dedo em sua direção - acima à esquerda para o 1, abaixo à direita para o 9 e assim por diante. Se comete um erro, pode apagar um dígito simplesmente balançando o telefone, que detecta movimento.

A dupla testa diversos outros mecanismos de entrada de dados. Nenhuma dessas tecnologias está no mercado, mas Raman, que já usa o G1 como seu principal celular, espera em breve torná-las disponíveis gratuitamente. (Hoje, há poucos leitores de telas disponíveis para smartphones e eles costumam custar tanto quanto o próprio telefone.)
Sinais de Trânsito.

Segundo Raman, a mais revolucionária tecnologia móvel - um telefone que pode reconhecer e ler sinais de trânsito por meio de sua câmera - ainda está a alguns anos de distância. Certos dispositivos já conseguem ler textos dessa forma. Mas como os usuários cegos não sabem onde esses sinais estão, não podem apontar a câmera ou alinhá-la adequadamente, disse Raman.

Segundo ele, quando os chips se tornarem poderosos o suficiente, serão capazes de detectar a localização do sinal e lê-lo mesmo distorcido. "Vai acontecer," disse. E quando acontecer, também vai beneficiar os usuários que enxergam. "Se você tem uma tecnologia que reconhece um sinal de trânsito enquanto você dirige, isso ajuda a todos," disse. "Em um país estrangeiro, irá traduzi-lo."

"Existem problemas interessantes a serem resolvidos na área".

Raman acredita que o maior impacto vai acontecer quando ele convencer outros engenheiros a tornar seus produtos acessíveis - ou, melhor ainda, quando convencê-los de que existem problemas interessantes a serem resolvidos na área. "Se eu conseguir outros dez engenheiros motivados a trabalhar com acessibilidade," disse, "será um ganho imenso."

Tradução: Amy Traduções.
Atualização: Touch para quem não vê - IPHONE.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Programa imprime fotos táteis, que cegos podem 'ver'

Em um mundo cercado de imagens, muitas delas apenas na tela do computador, quem não consegue enxergar acaba perdendo uma grande parte da experiência sensorial do mundo que o cerca. Existem algumas tecnologias para ampliar o acesso dos deficientes visuais aos meios eletrônicos, mas quando se trata de fotografia, os avanços são tímidos.
 
 
 


Inspirado por um pesquisador deficiente visual que se queixava da falta de informações gráficas, o pesquisador Baoxin Li, da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, iniciou seu trabalho no desenvolvimento de um programa que transforma fotografias comuns em imagens que podem ser "vistas" por deficientes visuais.
O programa usa um algoritmo que captura as linhas essenciais para a percepção de um rosto e forma uma imagem que pode ser impressa em alto relevo. O software não traduz todas as expressões em relevo, porque tornaria a imagem poluída demais, ele seleciona apenas as linhas de maior relevância para a compreensão do rosto. A foto pode passar para o papel por meio de uma impressora tátil em cerca de um minuto.

Por enquanto, os programa só transforma fotografia de rosto, mas os pesquisadores esperam desenvolver em breve uma forma de fazer mapas em alto relevo. As impressoras táteis normalmente existem apenas em instituições especializadas em deficientes visuais. Mas Li disse ao
Discovery News que logo as fotografias que passarem por seu programa poderão ser sentidas por cegos usando gadgets que permitirão sensações táteis. 



fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI211964-17770,00-PROGRAMA+FAZ+FOTOS+QUE+CEGOS+PODEM+VER.html



 

sábado, 22 de setembro de 2012

Sinalização tátil

A Sinalização Tátil é qualquer tipo de sinalização que envolva o tato como meio de assimilar a mensagem. É fundamental no benefício de pessoas cegas ou com baixa-visão, que não podem se beneficiar da Sinalização Visual apenas. O maior exemplo seria o Braille, uma linguagem baseada em pontos em relevo, especialmente desenvolvida para deficientes visuais, e pode ser utilizada em placas, mapas táteis, cartilhas entre outros dispositivos.


Outros exemplo é o Piso Tátil, que tem funções de alerta a obstáculos ou bloqueios, e no sentido direcional de locomoção.


Piso Tátil ou PodotátilPodo: pé Tátil: tato (sentido).

Esses pisos tem como serventia auxiliar a caminhada das pessoas, sejam elas deficientes visuais, crianças, idosos e até mesmo turistas. Como revestimento de chão, os pisos táteis não funcionam sozinhos e sim com uma composição de peças que caracterizam uma caminhada segura e com autonomia. Portanto deve ser levado em consideração o desenho universal deste produto, lembrando que o seu significado deve ser evidente e fácil reconhecimento, tendo uma linguagem simbolica onde quer que os encontre.


Piso tátil direcional


 

Piso tátil de alerta




É importante lembrar que as informações táteis devem ser adequadas em espessura, corpo, tipologia, cores e demais formas físicas que transmitam corretamente estas informações, com conforto e segurança ao usuário. 

Os pisos táteis devem ser cromodiferenciados, ou seja, devem possuir cor contrastante com o piso adjacente, porque ele não atende somente às necessidades dos cegos. Deficiente visual é também aquele que tem visão parcial, ou seja, baixa visão, conseguindo distinguir mais cores fortes do que formas e nitidez e tem a direção auxiliada pelas cores contrastantes do piso. A cor contrastante auxilia também os idosos.
No Brasil os pisos táteis foram normatizados pela norma técnica NBR 9050 que apresentou estes produtos somente no ano de 2004. Sendo assim seu conhecimento é relativamente novo, e deveria ser do interesse de todos órgãos públicos, portanto, ainda existe muito o que fazer para melhorar a acessibilidade em nosso município e no Brasil.


Mariza Helena Machado

fonte: http://estardeficiente.blogspot.com.br/2010/02/sinalizacao-tatil.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mundo dos cegos

Olá pessoal, hoje estou postando um texto que achei muito interessante retirado do site da Rede Saci.


Mundo dos cegos Rede SACI São Paulo - SP, 30/06/2011
 Reflexões de um deficiente visual que enxerga o mundo de dentro para fora Geilson de Sousa Santo

 Muitas pessoas ficam impressionadas quando vem uma pessoa cega fazendo suas atividades normais! Andando, correndo, brincando, dançando, pulando, lavando uma louça, fazendo um café, etc. Ficam se perguntando: Como é que ele consegue fazer isso? Como ele consegue fazer aquilo? Ficam se adimirando, com que fazemos e falamos! Mais o que eles mais tem curiosidade de saber é o que pensamos, o que sentimos, como percebemos as coisas, enfim, querem saber como é o nosso Mundo. Com certeza, você já deve ter ouvido falar que um cego tem o seu próprio mundo! Eles tem muita vontade de saber como é viver o mundo só escutando e tocando. Com certeza, você já deve ter ouvido isso: "Os cegos vem mais do que nós!". E com certeza, você deve ter ficado confuso. Ou então: "Eles não podem ver com os olhos mais podem ver com o coração!" Você deve está se perguntando: mas como é isso? Como eles enxergam melhor do que nós se são cegos? Para que você intenda como é isso, vou explicar. Quando você vê um objeto, você presta atenção no modelo, na cor e no tamanho. Não é? Mais nós, cegos, quando pegamos em um objeto, prestamos atenção no tamanho, o material que ele é feito, qual é sua textura, se áspero, liso, macio, grosso, fino, mole ou duro. E se alguém descrever pra gente a cor do objeto, pronto, a nossa visão daquele objeto já está completa. É assim que vemos. Isso é muito comum acontecer, quando uma pessoa cega fala pra uma pessoa que enxerga que lhe acha bonita, lá vem a pergunta: Como é que você sabe não está me vendo? Muitas pessoas que enxergam acham que a beleza é vista pelos olhos, o que não é verdade. Quando você olha pra uma pessoa, e diz que ela é bonita, você está olhando o corpo dela. Se é gordo ou magro, a cor dos cabelos, dos olhos, etc. Nós cegos vemos as pessoas da seguinte forma: Ouvindo sua vós, quando ouvimos a voz de alguém, prestamos atenção de onde ela vem, em qual direção, em qual distância, se é alta ou se é baixa, Se é grossa ou se é fina, se a vós de homem ou de mulher, se a qué-la vós é de algum conhecido ou amigo! Prestamos atenção na tonalidade, se a vós é macia, ou uma vós raivosa, triste ou feliz, se é uma voz doce, carinhosa, irritada, cansada ou rouca! Prestamos atenção o jeito que a pessoa está falando! Se é um jeito amigo, ou inimigo. Se é querendo ajudar, ou não. Se está falando com medo ou com segurança. E você que enxerga? Presta atenção nisso? Nós cegos, podemos ver com as mãos, com os ouvidos, com o coração e com a imaginação. Com as mãos, vemos as texturas dos objetos, o material que ele é feito, o tamanho, a temperatura e o peso. Com os ouvidos, vemos o som que ele tem, se é um som alto ou baixo, grave ou agudo, rápido ou lento. Com a imaginação, imaginamos a cor que ele tem. Com o coração, vemos os sentimentos das pessoas, se são bons ou ruins, se gostam da gente ou se é só falsidade, se são amigas de verdade ou só por interesse em alguma coisa. Prestamos muita atenção nas sensações, a sensação de voar de avião, de um beijo, de um carinho, de se sentir amado, apaixonado, etc. O objetivo desse texto é pra mostrar para as pessoas que enxergam, a forma que os cegos veem! Por favor, compartilhe esse texto com todos em sua volta e peça que eles façam o mesmo. 

Abraços a todos

domingo, 16 de setembro de 2012

Jogos de computador para cegos

Texto extraido de http://www.lerparaver.com/jogos_acessiveis

Não sei se esta é uma realidade conhecida pela maioria de entre vós mas decidi escrever este artigo para dar a conhecer e talvez para orientar alguns possíveis novos interessados para este novo mundo que é uma fonte de bem-estar que nos transmite um sentimento de muita igualdade principalmente para os jovens como eu!

Eu em criança, como muitas crianças cegas tinha sempre o desejo incontrolável de ser igual aos outros e de fazer tudo o que os meus amigos faziam. Nessa altura todas as crianças passavam muito tempo a jogar computador e eu claro não conseguia.

Mas agora tudo mudou, muitos produtores (a maioria de países anglo saxónicos) criaram o fenómeno dos “acessible games” ou seja jogos que são totalmente acessíveis para pessoas sem visão.
E porquê? Simplesmente porque estes são jogos totalmente áudio onde a informação é totalmente sonora.

Para começar gostaria de indicar um site que digamos é o site da comunidade de jogadores e produtores de jogos para cegos:
www.audiogames.net
Este site (de língua inglesa) tem informação sobre todos os jogos existentes bem como descrições e links para o download dos mesmos. É uma excelente fonte para principiantes porque tem tudo o que devemos saber para nos orientarmos consoante os nossos gostos.

Não vou aqui dizer nem descrever os tipos de jogos que existem porque precisaria de escrever um artigo muito longo que poderia ser algo monótono mas diria para dar uma ideia que existem em versão áudio todos os tipos de jogos que existem para as pessoas com visão.

Em seguida vou citar um portal que tem um excelente jogo que é um simulador de corridas que está traduzido em português. O jogo chama-se Top Speed 2 e pode ser encontrado em:
www.playinginthedark.net

Outros jogos que são muito interessantes podem ser encontrados em páginas como:www.kitchensinc.net
www.pb-games.com
www.vipgameszone.com
www.gmagames.com
www.lighttechinteractive.com
www.l-works.net

Existem muitos outros mas não seria interessante indicá-los todos porque seria uma lista interminável: apenas falei naqueles que me parecem ser os melhores. Se o tema interessar volto a escrever com mais informações.

Antes de terminar gostaria de mencionar um jogo on-line que está a ganhar cada vez mais adeptos que é um jogo que não é especificamente pensado para cegos mas que é perfeitamente acessível para os nossos leitores de ecrã e ainda por cima está traduzido em muitas línguas entre as quais o português. Neste jogo totalmente gratuito que é jogado no browser da Internet, somos um treinador de uma equipa de futebol e acompanhamos a nossa equipa na liga contra outros utilizadores. Joga-se em
www.hattrick.org

  

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Site

Encontrei um site muito interessante com produtos destinados as pessoas que possuem deficiência visual.

São vendidos jogos, livros, impressos em braille, bengalas, relógios, materiais pedagógicos, dentre muitos outros.

Vale a pena conferir, o nome do site é "Bengala Branca"

o link é esse: http://www.bengalabranca.com.br/2011/index3.php

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Como um cego vê

 
Por Gilmar de Freitas Mariano - Julho de 2004


De acordo com censo brasileiro de 2000, 16,5 milhões de pessoas sofrem de deficiênciavisual e 159 mil são incapazes de enxergar.Cabe a todos, aceitar e aprender a conviver com estas diferenças,diminuindo assim o preconceito.

Os olhos de um cego são os dedos das mãos; os olhos de um cego são os ouvidos; O olho de um cego é a bengala;os olhos de um cego são os olhos de um ser humano ou de um cão guia;

Quando perdemos um sentido, passamos a usar mais os outros epor ser necessário, aguçamos os que nos restaram. O tato é desenvolvido e um cego reconhece formatos,objeto e tudo mais que possa ser tateado. Através do Braille (sistema de leitura e escrita para deficientesvisuais), o cego pode ler qualquer informação ou conteúdo.Livros, revistas, e outros materiais publicados em Braille ou gravadosem fitas cassete ou cd, possibilitama inclusão dos cegos no mundo da cultura.Os softwares de vozes, os quais podem serem instalados em qualquercomputador equipado com multimídia, propicia aos cegos o acesso ao mundo dainformática. Os softwares lê com uma voz audível tudo que vai aparecendo natela, menos as imagens sem descrição e alguns tipos de tabelas, mas se o siteobedecer as normas de acessibilidade na WEB, não só os deficientes visuais como todos os outros deficientes terão total autonomiapara navegarem.

Através da audição um cego atravessa uma rua, reconhece as pessoas,trabalha com sons e etc. A bengala possibilita um cego ser independente, é através dela que ocego vai se locomover para a escola, para o serviço, para a casa doamigo (a) e etc. Quando a cidade tem acessibilidade urbanística e o povo tem consciência , ouseja, não tenha buracos, bicicleta, carro, placas publicitárias, orelhões sem alinhamento adequado e outrosnas calçadas, os cegos e os demais cidadãos se locomovem independentemente.

O guia humano é útil em certas ocasiões, como por exemplo em umacorrida, num lugar que não tenha nenhum tipo de acessibilidade, dentrode ambientes desconhecidos e outros. Já o cão guia, assim como abengala facilita a independência de um deficiente visual, mas no Brasilainda a poucos devido seu preço e a falta de informação. Em outrospaíses mais desenvolvidos o cão guia faz parte da vida de muitosdeficientes visuais.



"havendo acessibilidade, humanidade, eu digo que um cego vê tudo mas, omundo não é só o que se vê!!!"





Fonte:
http://intervox.nce.ufrj.br/~gilmar/cegove.html

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Palestra na Biblioteca Pública do Paraná

"Deficiência, diferenças e acessibilidade"

A Seção Braille, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação/CAP Curitiba, convida para a palestra: "Deficiência, diferenças e acessibilidade", ministrada pelo Doutor em Educação Especial Professor Paulo Ricardo Ross.

O evento acontecerá dia 20/09/12, ás 14 horas, no auditório Paul Garfunkel - 2º andar  da Biblioteca Pública do Paraná, localizada na rua Cândido Lopes, 133. Curitiba/PR

Para certificação é necessário inscrição pelo e-mail: cleomirasouza@bpp.pr.gov.br ou cleunicesilva@bpp.pr.gov.br.


PARTICIPE!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Alguns tipos de livros



Audiobook / livro falado


O audiobook, nada mais é do que a gravação da voz de uma pessoa

lendo/narrando um livro. Geralmente era gravado em fitas K-7 e CD's,

mas atualmente é comum encontrar em formato MP3, WMA e Ogg,, podendo

ser gratuitos ou pagos. Alguns possuem efeitos sonoros, que auxiliam na compreensão e fazem a história tornar-se mais presente.




Livro digital/ e-book


É um livro que é lido através de equipamentos como computadores, PDAs,

Leitor de livros digitais ou até mesmo celulares que suportem esse

recurso. É de fácil acesso, pois na maioria das vezes, podem ser

encontrados para download na internet de forma gratuita.




Livro em Braille


São livros impressos no Sistema Braille em que o leitor lê com o

auxílio das pontas dos dedos. Sabendo o código é possível ler e conhecer o mundo.





quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Seção Braille - Biblioteca Pública do Paraná



A Biblioteca Pública do Paraná possui um espaço destinado a formação e desenvolvimento de pessoas com deficiência visual, a Seção Braille, que disponibiliza o acesso à informação e à leitura através de meios especializados, como o livro falado, o livro digitalizado e o livro em Sistema Braille. Além de periódicos (revistas, boletins e folhetos), tocadores de mp3 e fones de ouvido, equipamentos de som, Cds, jogos adaptados, equipamentos para escrita e cálculo, máquinas de datilografia Braille, regletes, punções, sorobãs, equipamentos para ampliação de imagens e de textos, além de computadores com sintetizadores de voz que possibilitam a audição do que está escrito na tela.

Empréstimo

O usuário também pode fazer empréstimo do acervo. Para utilizar esse serviço, o usuário deve fazer sua inscrição de acordo com as “Normas para inscrição de leitor e empréstimo de livros” na Seção de Circulação. De posse da carteirinha, o leitor solicita o cadastramento na Seção Braille. As pessoas residentes em outros municípios do Paraná devem efetuar a solicitação através da biblioteca municipal local, que solicitará os serviços da REDECEG (Serviço de apoio a outras bibliotecas).


Visitas Orientadas


A Seção Braille recebe visitas de grupos para apresentação do espaço físico e dos serviços prestados. De acordo com a faixa etária, essas visitas devem ser previamente agendadas na Seção Infantil.



Horário de atendimento:


segunda a sexta, das 8h30 às 19h;

aos sábados, das 8h30 às 12h30.



Mais informações:


http://www.bpp.pr.gov.br/

Telefone: (41)3221-4985.
E-mail: braille@pr.gov.br

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Braille

O braille é muito importante na alfabetização, ele é um código de escrita para pessoas cegas. Abaixo, um vídeo que mostra um pouco do seu funcionamento:

 


 No próximo post, irei mostrar um lugar onde deficientes visuais podem ter acesso gratuito a filmes, livros, palestras, eventos e muito mais...